O Zelo é um sistema operacional da qualidade alimentar: uma plataforma onde o consultor configura os padrões, a equipe do estabelecimento opera o dia a dia, e uma IA que entende a legislação brasileira mantém os dois em conformidade contínua — do plano de boas práticas à fiscalização. Este documento define o que vamos construir na primeira versão, para quem, por quê, em que ordem, e como saberemos que deu certo.
A maioria das ferramentas do mercado resolve um pedaço: ou é checklist, ou é rotulagem, ou é consultoria. O Zelo une essas frentes em torno de um único princípio — conformidade não é um evento, é um estado contínuo — e coloca o consultor no centro como quem leva o sistema para dezenas de estabelecimentos.
Em uma frase: o Zelo transforma a qualidade alimentar de um esforço pontual e manual em um processo contínuo, monitorado e à prova de fiscalização — operado pela equipe do estabelecimento e orquestrado pelo consultor.
A promessa que a marca carrega resume a experiência pretendida: "No verde, todo dia." — você sempre sabe onde está e o que falta para ficar em conformidade.
Diferente das versões anteriores, o Zelo já é um artefato que se navega. O que existe hoje, publicado e em validação:
Protótipo navegável e clicável (estética "vidro sobre verde", PWA), com seis telas funcionais que realizam o fluxo central:
(Há ainda a página por cliente, com índice, conformidade por categoria, documentos e focos de atenção.)
Portal de validação para a consultoria (zelo.portalgsemp.com.br): convite, resumo do estudo de mercado, checklist de validação, um canal de devolutiva em tempo real e um tour guiado em modal que percorre as telas e levanta, em cada passo, "o que avaliar aqui".
Manual da marca (Brandbook v1.0) e o design system "vidro sobre verde", também publicados como PWA — a fonte canônica da identidade e da UI (detalhe na seção 10).
Infraestrutura no ar: PWA instalável com casca offline (service worker), backend Supabase (região São Paulo) e deploy contínuo via Cloudflare Pages a partir do repositório no GitHub. Na prática, isso já prova que o caminho PWA/offline/Supabase é viável — o que reduz risco técnico antes mesmo do build do produto.
Status: em validação técnica com a consultoria (Qualimab / Mariana Amabile). As devolutivas entram pelo canal do portal e viram requisito aqui.
O setor está fragmentado em quatro frentes que não conversam entre si: apps de consultoria (Food Checker, ProApp), plataformas de checklist para redes (SULTS, Checklist Fácil), softwares de rotulagem e ficha técnica (Nutrimenu), e plataformas internacionais de food safety (FoodDocs). Nenhuma junta as quatro — e o consultor brasileiro acaba operando com planilha, PDF e WhatsApp.
O ProApp acertou no offline e no custo, mas não tem IA nem analytics. O FoodDocs tem a IA do futuro, mas não atende o Brasil. As plataformas de checklist são genéricas e ignoram a figura do consultor. O espaço da interseção está aberto.
Profissional de qualidade/segurança de alimentos (nutricionista, eng. de alimentos, RT) que atende uma carteira de estabelecimentos. Dores: trabalho manual e repetitivo, dificuldade de escalar a carteira, pouca diferenciação, monitoramento dependente de presença física. O que precisa resolver (jobs-to-be-done): padronizar e acelerar a geração de documentos, acompanhar vários clientes à distância, provar valor com dados, fortalecer a própria marca/autoridade.
Restaurante, padaria, lanchonete, cozinha industrial e sua equipe (gerente, encarregado, manipuladores). Dores: medo de fiscalização, falta de método no dia a dia, rotatividade de equipe, documentos vencendo sem aviso. Jobs-to-be-done: cumprir a rotina de boas práticas sem complicação, ter tranquilidade na fiscalização, registrar o que foi feito.
Quem assina o cheque e responde pelo risco. Jobs-to-be-done: enxergar o nível de conformidade e o risco de cada unidade, justificar o investimento, dormir tranquilo.
Estabelecimentos com conformidade ativamente monitorada por mês — a métrica que captura valor real entregue (não só cadastro, mas uso recorrente).
| Dimensão | Indicador |
|---|---|
| Aquisição | Consultores ativos; estabelecimentos por consultor |
| Ativação | % que gera o 1º plano por IA e conclui a 1ª inspeção em 7 dias |
| Engajamento | Inspeções/monitoramentos por estabelecimento por semana |
| Retenção | Churn mensal de consultor e de estabelecimento |
| Receita | Seats ativos; MRR; receita média por consultor |
| Valor | Não conformidades resolvidas; tempo economizado por documento gerado |
Números de partida — hipóteses, não metas fechadas. Servem para dar direção e serão calibrados pela validação e pelo uso real:
| Métrica | Hipótese de partida |
|---|---|
| Ativação (1º plano + 1ª inspeção em 7 dias) | > 60% dos consultores |
| Engajamento | ≥ 1 inspeção/monitoramento por estabelecimento por semana |
| Retenção | Churn mensal de estabelecimento < 5% |
| Carteira-piloto | Cobrir o Sul e o Sudeste antes de expandir |
Quatro diferenciais que, juntos, nenhum concorrente nacional tem: (1) IA localizada na legislação brasileira, (2) offline-first de verdade, (3) a ponte consultor↔estabelecimento, (4) score de risco e analytics. O fosso defensável é a base legal estruturada (RDC 216, RDC 429, IN 75 e normas municipais) que alimenta a IA — é o que segura o concorrente internacional na fronteira e o que mais demora para copiar.
Fichas técnicas e rotulagem RDC 429 completas (entra como módulo dedicado depois — embora a prova de conceito já apareça no protótipo, na tela de ficha & rótulo); marketplace/white-label; integrações com PDV/ERP; app de cliente final; relatórios avançados de BI. Motivo: focar a v1 nos diferenciais e no fluxo que gera recorrência, sem inflar o escopo.
Offline e IA primeiro (são os diferenciais). Nada entra na v1 se não servir ao fluxo consultor→equipe→dado. Profundidade vem por iteração, guiada pela validação.
Notação: RF = requisito funcional. Cada bloco traz objetivo e critérios de aceite (o que precisa ser verdade para considerarmos pronto). A nota "No protótipo" aponta a tela que já demonstra a ideia — útil para alinhar visual e interação antes do build.
Objetivo: gerar Manual de BPF, plano APPCC e POPs adaptados ao tipo de estabelecimento e à legislação aplicável — não por "achismo do modelo", mas a partir de uma base legal estruturada. No protótipo: tela Gerador IA (fluxo guiado → plano de ação).
Como a base legal vira dado consultável (o coração do diferencial): A legislação não fica "solta" na cabeça do modelo. Cada norma é decomposta em requisitos e armazenada numa base estruturada, em que cada requisito carrega metadados: esfera (federal/estadual/municipal), tipo de estabelecimento a que se aplica, tema (edificação, manipulação, higiene, controle de temperatura, documentação, etc.) e a referência exata (norma, artigo/item). Ao gerar um plano, a IA recupera os requisitos aplicáveis àquele estabelecimento e município e monta o documento citando a fonte — e o consultor revisa. Assim, o conteúdo é rastreável, atualizável e defensável.
Objetivo: aplicar inspeções sem internet, com pontuação e plano de ação automático — é o coração do uso diário e o requisito de engenharia mais sensível. No protótipo: tela Inspeção (itens conformes/não conformes + score parcial ao vivo).
Sincronização (quando volta a conexão):
Estados de uma inspeção: rascunho → em andamento → concluída → sincronizada → (reaberta →) arquivada.
Critérios de aceite: uma inspeção completa é aplicável em modo avião e sincroniza sem perda ao reconectar; o score aparece em tempo real e reflete a criticidade dos itens; cada não conformidade gera item no plano de ação; a assinatura e as fotos ficam no relatório; o status de sincronização é sempre visível.
Objetivo: transformar inspeções em decisão — o que prova valor para o consultor. No protótipo: telas Painel (radar de risco da carteira) e Indicadores (evolução vs. média + mapa de não-conformes).
Objetivo: nunca deixar um documento vencer sem aviso. No protótipo: tela Documentos (selo de validade por documento, filtrado por estabelecimento).
Objetivo: acompanhar a validade dos produtos em uso/estoque.
Objetivo: equipe opera, consultor supervisiona, no mesmo dado. No protótipo: alternância modo consultor / modo estabelecimento (mesma base, visões distintas).
Matriz de permissões (papéis × capacidades):
| Capacidade | Operador | Gestor | Consultor |
|---|---|---|---|
| Aplicar inspeção / registrar rotina | ✓ | ✓ | ✓ |
| Ver inspeções da própria unidade | ✓ | ✓ | ✓ |
| Gerenciar documentos e validades da unidade | — | ✓ | ✓ |
| Convidar/gerenciar usuários da unidade | — | ✓ | ✓ |
| Gerar plano por IA | — | — | ✓ |
| Criar/editar modelos de checklist | — | — | ✓ |
| Ver painel consolidado da carteira | — | — | ✓ |
| Adicionar/remover estabelecimentos | — | — | ✓ |
| Baixar relatórios para fiscalização | — | ✓ | ✓ |
Objetivo: no momento da fiscalização (ou de uma auditoria interna), provar conformidade na hora — com histórico, não com promessas. No protótipo: página do cliente consolida índice, categorias, documentos e focos de atenção — a base visual do relatório.
A marca tem manual próprio (Brandbook v1.0), publicado e versionado, que é a fonte canônica da UI: toda tela nova nasce dele. Os pilares:
#159C68), nunca recolorido nem removido. Tagline: "No verde, todo dia."#159C68, Atenção #D98A12 (sempre com texto escuro), Risco #D44A40, Informação #2C6E8E. Proporção de uso 60 neutros / 30 verdes / 10 status.--glass, --blur) sobre fundo verde vivo; cartão branco sólido reservado só para "papéis" (rótulo e documento); curvas de gráfico suaves com pontos circulares.O protótipo e o portal já aplicam esse sistema; o brandbook completo está publicado (inclusive como PWA) para consulta da equipe e de quem for desenvolver.
Receita dupla: assinatura do consultor + um seat por estabelecimento. O consultor vira canal de distribuição — cada cliente que ele leva é uma recorrência nova, e ele pode repassar o seat com margem.
Âncoras de mercado (o que existe hoje): Food Checker ~R$22/mês (web, sem offline/IA); ProApp (offline, foco em custo); FoodDocs ~US$169/mês (IA, sem Brasil); SafetyCulture ~US$24/usuário/mês. O Zelo entrega bem mais que o Food Checker (IA localizada + offline + ponte + dados), o que justifica posicionar acima dele — sem chegar ao preço dos internacionais.
Estrutura de preço proposta (hipótese a validar com disposição a pagar):
| Item | Quem paga | Preço proposto | O que inclui |
|---|---|---|---|
| Plano Consultor | Consultor | ~R$149/mês (faixas por tamanho de carteira) | Gerador por IA, painel da carteira, modelos de checklist, até X estabelecimentos |
| Seat por estabelecimento | Estabelecimento (ou consultor com repasse) | ~R$49/mês por unidade ativa | Acesso da equipe, inspeções offline, documentos e validades, relatórios |
Estes números são proposta ancorada no mercado, não preço final. O teste de disposição a pagar dos dois lados — central na validação com a Mariana — é o que fecha as faixas. A lógica: o consultor paga pela alavanca (IA + gestão da carteira); o estabelecimento paga pela tranquilidade na fiscalização.
Cada fluxo traz pré-condição, passos e o que acontece quando algo foge do caminho feliz.
Pré-condição: consultor com conta ativa.
Exceções: equipe não aceita o convite → lembrete automático ao consultor; município sem base legal cadastrada → usa base federal (RDC 216) e sinaliza pendência. Sucesso = ativação: 1º plano gerado e 1ª inspeção concluída.
Pré-condição: operador com seat, app instalado.
Exceções: ficou sem bateria/fechou o app → o auto-save preserva o rascunho; sem sinal por horas → fica na fila e envia depois, sem perda.
Pré-condição: estabelecimentos com inspeções sincronizadas.
Exceções: dado desatualizado (unidade sem sincronizar) → painel marca "sem sincronização recente".
Exceções: venceu sem renovação → item entra como risco no painel até regularizar.
Valor: transforma "torcer para estar tudo certo" em "provar que está", com histórico assinado.
PWA + experiência mobile; backend com banco multi-tenant; camada de IA ancorada em uma base legal estruturada (a norma vira dado consultável, não "achismo do modelo"); motor de sincronização offline.
O que a validação já provou na prática: o build atual roda essa direção — PWA instalável com casca offline (service worker), backend Supabase (São Paulo) e deploy contínuo via Cloudflare Pages a partir do GitHub. Isso valida o caminho técnico e reduz risco. A arquitetura final do produto evolui a partir daí: multi-tenant com isolamento por consultor/estabelecimento, motor de sincronização com fila e resolução de conflitos, e autenticação real por papéis (que substitui a senha simples do portal de validação).
Isto é direção, não decisão final de arquitetura — serve para orientar quem for desenvolver.
Base de partida: RDC 216/2004 (boas práticas para serviços de alimentação), POPs e APPCC; RDC 429/2020 + IN 75/2020 (rotulagem nutricional, para o módulo futuro de rótulos — cuja prova de conceito já aparece no protótipo); e normas municipais da vigilância sanitária, que variam por cidade. A precisão e a atualização dessas referências é exatamente o terreno da Mariana — este é um dos pontos onde a validação dela é insubstituível.
Cobertura inicial: a base municipal começa pelo Sul e Sudeste (capitais e principais municípios de SP, RJ, MG, ES, RS, SC e PR), acompanhando a meta de carteira-piloto. Novos municípios entram por demanda.
A validação não é uma etapa abstrata — ela está acontecendo, com instrumento próprio.
Como acontece. A consultora recebe o protótipo navegável e um tour guiado em modal que percorre as telas; cada passo traz um "o que avaliar aqui". A devolutiva entra pelo canal no portal (zelo.portalgsemp.com.br) e cada ponto levantado vira requisito aqui — como já aconteceu com a assinatura do RT (RF-2.8) e o controle de validades (8.5).
As cinco perguntas centrais (o que precisa fechar):
Critério de saída da validação: ter as faixas de preço confirmadas ou ajustadas, a lista de municípios-piloto definida, e o escopo fino de estoque e de relatórios fechado. Isso encerra a v0.5 e libera o início do build.
| Risco | Mitigação |
|---|---|
| Consultor enxergar o app como ameaça (substituição) | Posicionar como ferramenta que amplia a carteira e a autoridade dele, não que o substitui |
| Complexidade do offline com sincronização | Tratar como requisito de engenharia central desde o início; testar em campo cedo (a casca offline do build já é um primeiro passo) |
| Precisão jurídica da IA | Ancorar em base legal estruturada + revisão humana (consultor decide) |
| Baixa adoção pela equipe do estabelecimento | UX simples, mobile, em português claro; treinamento mínimo |
| Variação de norma por município | Começar pelas normas dos municípios-alvo; expandir por demanda |
BPF Boas Práticas de Fabricação · APPCC Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle · POP Procedimento Operacional Padronizado · RDC Resolução da Diretoria Colegiada (ANVISA) · IN Instrução Normativa · CMV Custo da Mercadoria Vendida · Visa Vigilância Sanitária · RT Responsável Técnico · Seat assento/licença paga por estabelecimento · PWA Progressive Web App (app instalável que roda no navegador, com modo offline) · MRR receita recorrente mensal · Churn taxa de cancelamento.
Visão de alto nível das entidades e como se relacionam. Não é o desenho final do banco — é o mapa para quem for construir.
| Entidade | O que é | Campos-chave |
|---|---|---|
| Consultor | Dono da carteira | nome, contato, plano |
| Estabelecimento | Cliente do consultor | consultor, nome, tipo, porte, município, status |
| Membro | Pessoa com acesso, com papel | estabelecimento, papel (operador/gestor/consultor), login |
| Plano gerado | Documento BPF/APPCC/POP | estabelecimento, tipo, conteúdo, base legal, autor |
| Modelo de checklist | Template reutilizável | consultor, nome, lista de itens |
| Inspeção | Aplicação de um checklist | estabelecimento, modelo, aplicada por, data, score, status, assinatura |
| Item de inspeção | Resposta de cada item | inspeção, descrição, criticidade, peso, resultado, foto |
| Plano de ação | Derivado das não conformidades | inspeção, item, descrição, prazo, responsável, status |
| Documento | Alvará, laudo, atestado | estabelecimento, tipo, validade, status |
| Insumo/Validade | Item de estoque | estabelecimento, nome, lote, validade |
Relações principais: um Consultor tem muitos Estabelecimentos; um Estabelecimento tem muitos Membros, Inspeções, Documentos, Insumos e Planos; uma Inspeção usa um Modelo de checklist, tem muitos Itens e gera itens de Plano de ação.
Esta é a versão 0.4 — rascunho em detalhamento. Não precisa estar perfeito: é um documento vivo. Os comentários e pedidos da consultoria entram pelo canal em zelo.portalgsemp.com.br, e cada ponto levantado vira requisito aqui (como já aconteceu com a assinatura do RT e o controle de validades). Fechadas as cinco perguntas da seção 15, sobe a v0.5 e começa o build.